sexta-feira, 15 de julho de 2011

Melhoria no Plano Inclinado em Ortodontia Veterinária

O que é o Plano Inclinado

O plano inclinado construído de resina acrílica é aplicado, direta ou indiretamente no palato duro. Constrói-se o aparelho de forma a provocar uma área de deslizamento (inclinação) no momento de contato entre o canino inferior e o plano, levando, pelas forças de mastigação, os caninos inferiores a deslocarem-se para a face vestibular (desviando a ponta dos caninos “para fora” da cavidade oral).

Críticas à aplicação pelo "método do dique"

Mesmo em livros clássicos, ainda é preconizado o método obsoleto de aplicação da resina diretamente no palato, através da construção de um dique (com cera) e "derramamento" do metil-metacrilato diretamente sobre o palato.

É de conhecimento do Dentista Veterinário que a resina acrílica, ao término de sua polimerização, apresenta reação exotérmica, devendo o aparelho construido ser lavado abundantemente, a fim de que o calor provocado pela reação de polimerização não lese o tecido do palato. Apesar disso, sua presença por semanas lesara o tecido inevitávelmente.

O uso do dique facilita a aplicação. Porém, como tudo que é inventado para facilitar a vida moderna, também vêm acompanhada de grande desvantagem: ao preencher o dique com resina, o aparelho acaba cobrindo uma área extensa de palato, o que é desnecessário, levando à lesão de tecidos moles em uma maior extensão.

(foto de artigo de 2001 - método antigo)

Aplicação correta do Plano Inclinado

Ideal é que se ensine a aplicação sem o dique, seguindo os mesmos passos de uma fixação dentária (usada em fratura de mandíbula). A resina é aplicada em sua fase arenosa e, até o término da fase plástica, termina-se sua confecção. Durante a fase exotérmica, lava-se abundantemente o aparelho de acrílico, porém este estará somente na área funcional e não em área inútil.


(melhoria no método de aplicação direta)

Como dito acima, a inflamação de parte do palato é inevitável, porém neste método de aplicação, uma área menor será afetada.

Conclusão

Apesar do avanço do método, conhecido por muitos colegas em odontoveterinária, fica o questionamento: por que ainda se ensina o "método do dique" em cursos teóricos e práticos ? Logo, fica aqui a sugestão, a de não usar métodos facilitados que ajudam o médico veterinário e prejudicam o paciente. Isto só reforça o que preconizo nos meus cursos: nem tudo o que está nos livros é 100% verdadeiro - questione sempre !!!

MV. Esp. PhD. Marco Antonio Leon
CTEOV / DentistaVet / VetDent - Odontologia Veterinária

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